USP estuda vacina para o HIV, tuberculose e câncer
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Uma vacina desenvolvida em Ribeirão Preto pode ser o caminho mais próximo para a cura de doenças virais, como a tuberculose, o câncer e o Aids, que até então são um desafio para a medicina. Descoberta pelo pesquisador Célio Silva, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP (Universidade de São Paulo), a vacina foi originalmente concebida para o tratamento da tuberculose, mas se mostrou eficaz nos testes feitos em seres humanos para a cura do câncer.
“Após os primeiros testes pré-clínicos, surgiu a oportunidade de testar a vacina em câncer antes de tuberculose”, explica Silva. “Nos modelos animais que nós testamos, a vacina eliminou a doença”, revela o pesquisador. Ao que tudo indica, o mesmo deve se repetir em humanos.
Os testes clínicos feitos em 21 pacientes com câncer de cabeça e pescoço no Hospital das Clínicas de São Paulo estão na fase final e apresentam resultados animadores. O produto, agora chamado de bio-fármaco e não mais vacina, não se mostrou tóxico e tem grande aplicabilidade anticancerígena, segundo o pesquisador. Entre novembro e dezembro, devem começar os testes com doentes de tuberculose. E em um ano, é possível testar em portadores do HIV.
NO FUTURO
Estratégia é diferenciar o produto
“Queremos testar a vacina em pacientes co-infectados. Existe um grande problema de tuberculose (TB) e HIV juntos, de 30 a 40% indivíduos que têm TB tem HIV”, aponta Célio Silva. Por enquanto, a vacina, que é produzida nos laboratórios da USP em Ribeirão Preto, é igual para todas as doenças.
A estratégia futura é diferenciar o bio-fármaco de acordo com as especificidades de cada doença para otimizar os resultados. É em Ribeirão Preto, dentro do campus da USP, que funciona a coordenação da Rede TB, a Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose. Dirigida pelo professor Célio Silva, a Rede TB foi montada em 2001 para a fase final dos testes clínicos da vacina (descoberta em 1990) e também para desenvolver o produto.
Hoje, a Rede é composta por mais de 200 pesquisadores de todo o Brasil. Tem a proposta de reunir e organizar mão-de-obra especializada e montar plataformas tecnológicas para desenvolver produtos e processos de maneira ordenada.
Fonte: Jornal a Cidade
Última atualização: 30/06/2011




