Paciente será indenizada por erro no diagnóstico do vírus HIV

22/04/2010 – 16:48

A 1ª Turma Cível julgou na sessão do dia 20 de abril a apelação cível nº 2009.003653-8, de relatoria do Des. Sérgio Fernandes Martins. No recurso, E. M. de J. pretendia reformar a sentença de 1º grau que julgou improcedente o pedido de indenização por danos morais em desfavor de laboratório de análises clínicas e por conta de exames laboratoriais que diagnosticaram a apelante como soropositivo para o vírus HIV.

Conforme os autos, no dia 20 de julho de 2006 E. M. de J., para fazer um exame de rotina, foi até o Município de Mineiros (GO) numa consulta em Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Araguaia. Como de costume, diversos exames laboratoriais foram solicitados pelo médico.

No dia 2 de agosto, a apelante retornou à Cooperativa, quando o médico informou que o primeiro exame e o segundo feito como contra-prova, confirmavam que a mesma era soropositivo para o vírus HIV.

O segundo exame além de mencionar que se tratava de um teste de triagem, constou na observação que: “resultado repetido e confirmado com três amostras diferentes, colhidas em dias alternados”.

A partir deste momento, o médico passou a adverti-la quanto aos procedimentos que deveria tomar. O médico recomendou que a mesma se afastasse de suas atividades por um período de 15 dias, além de mais procedimentos necessários foram adotados, como submeter seu esposo aos mesmos exames.

Posteriormente, para seu marido, o resultado foi negativo. Inconformada, a apelante procurou outra clínica que realizou exames complementares os quais apontaram resultado negativo para a presença do vírus.

Segundo o relator do processo, Des. Sérgio Fernandes Martins, resta analisar se ocorreram ou não danos morais em razão do resultado equivocado da presença do vírus HIV. Em primeiro lugar, o relator afastou a responsabilidade de indenizar da Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Araguaia, pois não vislumbrou o seu dever de indenizar, permanecendo como apelado o laboratório que forneceu os resultados do exame.

Para o Desembargador, “é sabido que o diagnóstico equivocado apontando a presença do vírus HIV no organismo de alguém, por si só, mostra-se capaz de desestruturar a vida de toda uma família, sobretudo a vida conjugal de um casal, quando a fidelidade mútua é colocada à prova”.

Embora o laboratório alegasse que trouxe nos resultados a ressalva de que poderiam ser feitos exames complementares para confirmar a doença, destacou o relator, o fato não tira a responsabilidade do laboratório no diagnóstico emitido. O mesmo entendimento, conforme destacou em seu voto o Des. Sérgio Martins, é adotado em julgamentos do STJ sobre casos análogos.

Conforme o relator, “no caso concreto, o que se verifica é o resultado de um exame que provoca um efeito efetivamente terrível para qualquer pessoa. Por isso, não se pode admitir o questionado proceder do laboratório. Feito o exame, apresentado o resultado com a conclusão errada, segue-se o efeito devastador para a pessoa até que se demonstre o contrário”.

Por esta razão, a relatoria observou a presença do dano moral e fixou a indenização em R$ 15.300,00, o equivalente a 30 salários mínimos, acrescidos de juros de mora a partir da publicação do acórdão. Os demais desembargadores da 1ª Turma Cível acompanharam o voto do relator. Assim, por unanimidade, o recurso foi provido, condenando o laboratório a pagar a indenização a apelante.

Fonte: Âmbito Jurídico

Data de criação: 28/04/2010
Última atualização: 28/04/2010

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1 Comentário Publicado

  1. carla marisa de bem disse:

    olá, boa noite, fazendo uma pesquisa sobre o hiv cheguei hoje há este site, sou do município de Gravataí RS, queria muito lhe contar a minha história, em 2009 engravidei e não obtive o meu resultdo de hiv durante a minha gestação, na hora do parto fui p cidade de cachoeirinha, cidade vizinha da minha, e lá fizeram um teste rápido e deu hiv positivo, fizeram uma cesáriana em mim, e uma semana retornei ao hps e me deram um outro exame confirmando o diagnóstico do hiv positivo, me filho teve alta tomando o medicamento azt, em janeiro de 2010 meu filho fez um exame de carga viral cujo resultado foi de 377,495 cópias de virus hiv indicando a infecção pelo mesmo, foi solicitado o exame de genotipagem para iniciar a medicação adequada para meu filho, resumindo a história fui até o fórum de Gravataí e lá um defensor público me atendeu e mandou um ofício pro laboratório que realizou o meu exame durante a gestação a entrega do resultado e uma resposta em cinco dias, sendo assim o meu exame foi entregue em 12 de maio de 2010, sete meses após meu filho ter nascido, enfim hoje ele se trata no hospital santo antônio de porto alegre, o infecto pediátrico Marcelo Comerlatto Scottá foi quem me orientou e tratou e trata até hoje do meu filho, enfim to muito revoltada a secretária de saúde daqui sabe do acontecimento e não tomou nenhuma providência, essa semana fui até um advogado pra entar com uma ação judicial contra o municipio, meu advogado disse q é uma causa ganha pois tenho todos os oficios respondidos, enfim o maior crime foi o de tirarem o direito do meu filho se tratar durante a minha gestação, quero tornar isso público afim de isso não se repetir com nenhuma outra mãe hiv positiva, pois a vida de nossos filhos não tem preço, enfim por favor entrem em contato comigo para mais explicações, desde já agradeço.

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