Mortalidade por aids caiu 84,5% em São Paulo com uso do tratamento antirretroviral

03/05/2010 – 16h30

Estudo de sobrevida desenvolvido no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP confirmou o sucesso da política nacional de combate à epidemia de HIV/Aids e os excelentes resultados obtidos com o acesso livre e universal aos antirretrovirais. A pesquisa foi realizada pela epidemiologista Mariza Vono Tancredi, como tese de doutorado, sob a orientação do Prof. Dr. Eliseu A. Waldman da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Nesse estudo observou-se uma população adulta de 6.594 pacientes que desenvolveu aids, no período de 1988 a 2003 e foi acompanhada até 2005.

Identificou-se expressivo aumento da sobrevida na era pós-HAART (início da terapia antirretroviral de alta potência, conhecida como coquetel).

Comparou-se a probabilidade de sobrevida nove anos após o diagnóstico de aids para pacientes que tiveram seu diagnóstico feito em três épocas (1988 a 1993, 1994 a 1996 e 1997 a 2003) e observou-se expressiva elevação nas probabilidades de sobrevida de 10,6%, para 24,4% e para 72%, nos respectivos períodos.

A introdução dos esquemas antirretrovirais de alta potência apresentou expressivo impacto nas taxas de mortalidade por Aids no CRT. Em 1988 a taxa de mortalidade foi de 8,0/1000 pessoas-ano, em 1994 atingiu seu pico, com 24,8/1000 pessoas-ano e em 2003 foi de 3,4/1000 pessoas-ano.

Portanto, entre os anos de 1994 e 2003 ocorreu um declínio de 84,5% na taxa de mortalidade. Outro estudo realizado por Guibu e colaboradores em 2007, na região Sul e Sudeste do Brasil, revelou que para pacientes, com diagnóstico de aids entre 1998 e 1999, a probabilidade de sobrevida foi de 59,4% até nove anos.

Segundo Tancredi, a sobrevida nesse estudo foi associada aos seguintes fatores preditores: período de diagnóstico de Aids, idade na época do diagnóstico, categoria de exposição, escolaridade e contagem de células CD4.

Para os que tiveram diagnóstico de Aids feito entre 1988 e 1993, o risco de óbito foi 3 vezes maior, comparado com os diagnosticados entre 1997 e 2003. Em relação à idade, o risco de óbito dos indivíduos com mais de 50 anos foi duas vezes maior do que entre jovens de 13 e 29 anos.

Para aqueles que adquiriram o vírus por meio de uso de drogas injetáveis o risco de óbito foi 50% maior quando comparado aos heterossexuais. Os pacientes que não tinham nenhuma escolaridade apresentaram um risco 2 vezes maior de morrer do que aqueles com mais de 8 anos de estudo.

Por último, a contagem de CD4 também foi um fator associado à sobrevida dos pacientes com Aids, pois entre os que tinham CD4 abaixo de 350 cel/mm³, o risco de óbito foi 30% superior quando comparado aqueles com CD4 acima de 500 cel/mm³. Segundo Tancredi, “os fatores associados à sobrevida dos pacientes com Aids do CRT são os mesmos apresentados em estudos internacionais”.

De acordo com a pesquisadora, o aumento da sobrevida dos pacientes do CRT se deve além do uso da terapia antirretroviral de alta potência, à qualidade do serviço prestado na instituição e ao empenho da equipe multidisciplinar.

Fonte: CRT/DST/Aids de São Paulo

Data de criação: 11/05/2010
Última atualização: 11/05/2010

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