Médico e paciente reclamam da falta do antirretroviral Abacavir 300mg

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05/04/2010 – 13h25

Ministério da Saúde adiou duas vezes o prazo de regularização do fornecimento do remédio

A pedagoga e ativista Nair Brito foi a primeira pessoa no Brasil a conquistar judicialmente o acesso gratuito a antirretrovirais. O fato ocorreu em 1996. Quatorze anos depois, a distribuição da terapia antiaids voltou a preocupá-la, desta vez devido ao desabastecimento do Abacavir 300mg, que ocorre desde dezembro. A orientação do Ministério da Saúde é que o remédio seja substituído por outros antirretrovirais, porém, alguns pacientes reclamam dessa troca principalmente pelos efeitos colaterais que a inserção de uma nova droga no tratamento pode ocasionar.

A falta do remédio, de acordo com nota técnica publicada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, ocorreu devido “às dificuldades encontradas na aquisição do medicamento (…) das quais resultaram no atraso das entregas previamente programadas”.

“No meu tratamento atual não há motivos para trocar o Abacavir por outro medicamento, a não ser que os meus exames indiquem essa substituição, o que não é o caso. O que vai acontecer se o remédio for trocado é que ficarei com alternativas escassas de tratamento até que a cura para o HIV e a aids seja uma realidade”, contou Nair.

“Uso há três anos o medicamento e ele melhorou significativamente a minha saúde. Além disso, já é um esquema alternativo que utilizo, pois esta é uma terapia de resgate, como é chamado o tratamento para pessoas que já fizeram uso de outras drogas e são resistentes a elas. Outro aspecto envolvido nesta troca forçada  do Abacavir é o fato que eu me adaptei a esse esquema atual e não tenho mais tantos efeitos colaterais, situação que sempre acontece quando inicio um novo tratamento”, continuou a ativista, que também acredita que a que situação dificulta a adesão ao tratamento.

“Que adesão é possível ter se a qualquer momento a indicação de troca de remédio é feita por motivo de desabastecimento? A política pública de medicamento é vulnerável ao mercado e sua logística de distribuição, e isso é uma ameaça à nossa vida.”

Dados oficiais apontam que 3.800 pessoas utilizam o Abacavir em todo o país.

Prazos

De acordo com o Departamento de Aids, a regularização da distribuição do Abacavir 300mg estava prevista, inicialmente, para a segunda quinzena de fevereiro. Depois, o prazo foi adiado para o fim de março e, agora, 10 de abril.

“A situação é um verdadeiro ‘abacaxir’. Faço promessas aos pacientes e agora não sei onde enfiar a cara. Fico constrangido com a falta de remédio, até agora só prometem”, afirmou um médico infectologista que pediu para ter a identidade preservada.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do órgão governamental para solicitar mais informações sobre o caso e aguarda retorno, prometido para esta semana.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

Data de criação: 08/04/2010
Última atualização: 23/04/2010

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