Homens com AIDS podem ter filhos através de tratamentos de fertilidade

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Uma revisão de estudos indica que tratamentos de fertilidade podem ser feitos com segurança em casais onde o homem está infectado com o vírus da AIDS e a mulher não. Isso porque, ao longo das últimas duas décadas, os pesquisadores têm melhorado os métodos de “lavagem” do esperma dos homens infectados com o HIV.

Claro que o sêmen “não lavado” pode transmitir o HIV para a mulher ou o bebê, mas os cientistas acreditam que o procedimento está ficando cada vez mais eficaz. A lavagem do sêmen do homem diminui o risco de transmissão o suficiente para casais que realmente querem ter filhos.

Pesquisadores brasileiros analisaram 17 estudos anteriores que envolveram um total de cerca de 1,8 mil casais em que apenas o parceiro do sexo masculino tinha AIDS.

Em cada um dos estudos, os pesquisadores realizaram um dos dois tipos mais comuns de tratamentos de fertilidade após a lavagem do esperma. Em seguida, eles registraram quantas vezes as mulheres ficaram grávidas após os procedimentos, e as monitoraram juntamente com os bebês que nasceram, para ver se o HIV foi transmitido a partir do sêmen.

Cerca de um terço das mulheres fez um processo em que um único espermatozóide é injetado em um único óvulo, fecundado, e colocado no útero da mulher. Este tipo de tratamento de fertilidade é considerado mais seguro para casais nos quais o parceiro masculino tem HIV, porque é mais fácil garantir que o esperma que está sendo usado não tem o vírus. O resto das mulheres teve esperma injetado diretamente no útero durante o período fértil.

Em última análise, cerca de metade das mulheres ficaram grávidas, e cerca de 80 a 85% das gestações resultaram no nascimento de um bebê. As taxas de sucesso de gravidez são comparáveis ao que tem sido demonstrado em outros estudos de tratamento de fertilidade em casais sem HIV.

Após o tratamento de fertilidade, nenhuma das mulheres ou bebês do estudo virou positivo para HIV. No entanto, em alguns dos estudos em que os pesquisadores testaram o sêmen depois de ter sido lavado, entre 2 e 8 de cada 100 amostras testaram positivas para o HIV, o que indica que a transmissão do vírus ainda é possível, apesar de improvável.

Porém, mesmo que algumas das amostras de sêmen sejam positivas, a quantidade do vírus provavelmente é tão pequena que não é susceptível de ser passada para a mãe ou o bebê. Além disso, a transmissão do HIV requer algum tipo de “trauma” (“lesão”) para o corpo da mulher, porque o vírus é passado do sêmen para o sangue. Ou seja, embora haja uma chance de transmissão durante relações sexuais, não é provável que haja no tratamento de fertilidade.

Apesar da crescente evidência de sua segurança, procedimentos de fertilidade não são muito comuns em casais nos quais o parceiro masculino tem AIDS. Em parte porque os procedimentos não são muito baratos. Nesse caso, quando os casais não podem pagar um tratamento de fertilidade, acabam indo pela outra opção, que é ter relações sexuais, o que coloca a mulher em situação de risco.

Uma opção futura para estes casais pode ser medicamentos que a mulher toma para evitar contrair o vírus de seu parceiro. E se a mãe não tem o vírus, o bebê não vai ter. Mas por enquanto, o tratamento de fertilidade é a opção mais segura possível.

Fonte: Reuters

Data de criação: 05/04/2011
Última atualização: 05/04/2011

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