Governo amplia uso de antirretroviral como método de prevenção da aids

O uso de remédios antiaids como uma espécie de “pílula do dia seguinte” para evitar a doença foi ampliado pelo governo. Documento com recomendações a profissionais de saúde que será lançado hoje prevê a oferta dos medicamentos como prevenção de emergência para pessoas que mantiveram relação sexual sem camisinha com portadores do vírus, profissionais do sexo, usuários de drogas e gays.

Atualmente, antirretrovirais já são usados como prevenção de emergência em hospitais para reduzir o risco de infecção, mas apenas para vítimas de violência sexual ou em caso de acidentes, principalmente entre profissionais de saúde.

Chamado de Consenso Terapêutico, o texto também traz um capítulo com recomendações para soropositivos que desejam ter filhos. A ideia é esclarecer casais sobre todas as metodologias existentes para reduzir ao máximo o risco de contaminação do bebê e do parceiro, caso ele não tenha o vírus.

“É um direito de todos. Se ter filhos é a decisão do casal, cabe ao governo orientar para que esse desejo seja colocado em prática com a maior segurança”, afirmou o assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal.

Integrantes de um grupo técnico convocado pelo governo para preparar o documento levaram pelo menos cinco meses para acertar os detalhes finais das recomendações. O debate começou em abril, conforme mostrou o Estado na época. Hallal sabe que os temas agora abordados podem provocar polêmica. “É uma proposta corajosa. Mas é preciso encarar o debate.”

Preservativos. Um dos receios provocados pelas recomendações é o de que pessoas, ao saber da possibilidade do uso de antirretrovirais para prevenir a infecção, reduzam ou abandonem o uso dos preservativos. “A estratégia do governo é bem-vinda, mas deve vir cercada de cuidados para que não haja abusos”, afirmou o diretor do Instituto de infectologia Emílio Ribas, David Uip. Ele conta que o hospital já registra aumento de pacientes que procuram o serviço de emergência em busca de antirretrovirais depois de uma relação de risco.

“As pessoas chegam arrependidas, mas relatam muitas vezes casos de exposição que poderiam ser ter sido evitados. Não há dúvida de que a oferta do remédio em casos de emergência deve ser reforçada. Mas ela deve vir acompanhada de muita informação”, completou.

Hallal considera reduzido o risco de que pessoas pensem em abandonar preservativos. “Há uma consciência de que remédios contra aids trazem efeitos colaterais. Essa profilaxia, feita depois de uma exposição a uma situação de risco de contágio, também não se limita a um remédio, durante um dia. Trata-se de uma esquema de vários dias.”

Além disso, a recomendação da terapia não será automática. Ela somente pode ser feita caso a exposição ao risco tenha ocorrido no máximo a 72 horas e de acordo com a avaliação do médico. “Vários elementos são avaliados, como o parceiro sexual e o tipo de relação que foi estabelecida”, disse o assessor.

Grupos especiais. Não são todas as relações sexuais desprotegidas, por exemplo, que recebem indicação de uso de remédios antiaids. Somente aquelas mantidas com pessoas que sabidamente são soropositivas ou que integram grupos onde a prevalência da doença é igual ou maior que 5%: usuários de drogas injetáveis, gays ou homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo.

Profissionais também serão orientados a ficarem atentos para pacientes que passarem a procurar com frequência esse tipo de recurso de emergência. Embora expandido, o emprego de antirretrovirais para evitar que pessoas expostas ao vírus desenvolvam a infecção continuará sendo uma ferramenta usada emergencialmente. “O crucial na prevenção é o uso de preservativos. Há um controle sobre quem usa os remédios e como. Se houver constatação de abusos, pessoas serão encaminhadas para serviços de aconselhamento.”

Fonte: Estadão

Data de criação: 06/10/2010
Última atualização: 06/10/2010

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