Genes podem explicar rápido avanço da aids em algumas pessoas

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Uma pesquisa espanhola divulgada nesta quarta-feira no Journal of Clinical Investigation afirma ter encontrado uma explicação genética para os casos em que a aids surge quase imediatamente depois da infecção pelo vírus. O estudo pode, no futuro, resultar em estratégias individualizadas para a administração de antirretrovirais. Leia a seguir a notícia na íntegra a seguir.

Genes “apressam” o vírus da aids

Ao ser infectado pelo vírus HIV, o paciente se vê diante de um panorama de indefinição sobre o futuro de sua saúde. Características próprias do agente infecioso fazem com que alguns pacientes desenvolvam a doença rapidamente, enquanto outros passam décadas sem nenhum sintoma da aids. Uma pesquisa espanhola, divulgada na edição de ontem do Journal of Clinical Investigation, afirma ter encontrado uma explicação genética para os casos onde a aids surge quase imediatamente depois da infecção pelo vírus. Segundo o estudo, seis genes, presentes em cerca de 8% da população mundial, são os responsáveis pela baixa resposta imunológica ao vírus, facilitando sua rápida instalação. A pesquisa pode, no futuro, resultar em estratégias individualizadas para a administração da medicação aos soropositivos.

A descoberta, feita por cientistas do Instituto de Pesquisas de aids IrsiCaixa e do Departamento de Saúde da Catalunha, ambos da Espanha, foi possível depois do mapeamento de 25 mil genes de 66 pacientes, a maioria portadora do tipo B do vírus – o mais comum na Europa e na América. “A localização desses genes nos pacientes estudados é semelhante à localização de genes semelhantes previamente conhecidos em macacos. Esse dado nos dá fortes indícios de que se trata de uma característica presente em todas as pessoas e não apenas nas populações estudadas”, disse ao Correio Javier Martínez-Picado, principal autor do estudo.

A identificação fecha um ciclo iniciado em 2004, quando pesquisadores norte-americanos encontraram genes que têm a função inversa: permitem uma resposta eficaz ao vírus, retardando o aparecimento dos primeiros sintomas. “No futuro, será possível fazer exames para detectar o tipo de resposta imune que cada paciente dará à doença. Saber se ele é do tipo que vai desenvolver a aids precocemente ou tardiamente permitirá desenvolver estratégicas mais eficazes de medicação”, conta o pesquisador espanhol.

Futuro

Segundo o cientista Enrique Argañaraz, do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB), a pesquisa também abre uma nova perspectiva para o desenvolvimento de uma futura vacina. “Durante o processo de resposta ao vírus, a célula `picota` o HIV e apresenta uma parte dele ao sistema de defesa do organismo, que baseia nele a sua reação imunológica”, explica o professor. Se o fragmento apresentado é de uma parte importante do vírus, a resposta poderá ser mais eficaz no combate à aids e, portanto, o desenvolvimento da doença será dificultado. “Entender quais mecanismos genéticos estão envolvidos nesse processo de seleção do fragmento poderá, no futuro, ajudar a criar terapias que ensinem a célula a `escolher` partes mais eficazes para atacar”, completa.

Outro pondo ainda obscuro da infecção por HIV é a resposta que cada paciente dá ao tratamento. Ao contrário de outras doenças, a quantidade de vírus presente no organismo não está diretamente ligada à intensidade da doença. “É possível ter um índice de infestação altíssimo e não desenvolver um caso grave da aids, e vice-versa”, conta Argañaraz. Esse deve ser o novo passo dos pesquisadores espanhóis. “Ampliamos nossa amostra de 66 para 120 pacientes e pretendemos verificar se há uma causa genética tanto para a resposta diferente que cada pessoa tem ao tratamento quanto para a forma que o organismo desses pacientes reage ao vírus”, completa Javier Martínez-Picado.

Fonte: Correio Braziliense

Data de criação: 17/06/2011
Última atualização: 17/06/2011

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