‘Eu namoro um homem HIV positivo’

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O máximo de contato que eu havia tido com o assunto Aids foi durante a adolescência, nos anos de 1980. Meus pais tinham um amigo infectado. Depois, Cazuza e Renato Russo morreram, o filme Filadélfia apavorou meio mundo e a palavra “camisinha” virou cotidiana nas campanhas de carnaval.

Em 2005, conheci um cara e me apaixonei. E ele também se apaixonou. Mas antes do primeiro beijo ele me chamou para conversar. “Sabe o que é, eu tenho HIV. Como é isso para você?”, ele me perguntou, e eu não sabia como era isso para mim. Não me assustei. Simplesmente não tinha ideia do que responder.

Ele me contou que tinha o vírus havia mais ou menos oito anos. Descobriu durante um avaliação médica anual e não tinha ideia de como havia se infectado. Fazia acompanhamento com um infectologista e nunca tinha precisado mudar seu estilo de vida ou tomar remédio. Ou seja: vida normal. Tivemos a boa ideia de marcar uma consulta com o infectologista para conversar sobre o assunto. Marquei e fui, sozinha.

Fiquei duas horas e meia conversando com o médico. Foi uma verdadeira aula, aprendi tudo ali. Que HIV é diferente de Aids. Que você pode ter HIV durante anos e não desenvolver Aids. Que mesmo que você desenvolva Aids, você pode reverter o quadro, tomando os antirretrovirais (famosos coquetéis). Que o importante é sempre manter seus exames em dia. E que sim, você pode se prevenir com 100% de segurança, apenas usando camisinha.

Saí de lá tranquila e a gente começou a namorar direito. Não posso falar que minha vida mudou muito, porque sempre usei camisinha nos meus outros relacionamentos, de qualquer forma. Ou seja, não mudou mesmo.

Outra coisa que sempre fiz foi o exame de HIV a cada seis meses, desde que comecei a me relacionar sexualmente, então isso também não mudou: continuo fazendo.

Ocorreu um fato engraçado quando fui a uma universidade que estudava uma vacina contra a Aids. Fui como voluntária e não me aceitaram porque, como sempre uso camisinha nas relações com meu namorado, consideraram que eu não corria “risco”.

Participei durante alguns anos como moderadora de um fórum sobre HIV na internet e posso afirmar que a desinformação e o preconceito são mesmo gritantes. Uma bebidinha a mais e a camisinha é esquecida. Isso basta para, no dia seguinte, estarem todos lá, no fórum do orkut, chorando com medo de terem sido infectados e não querendo fazer o teste por medo de estarem certos. A gente explicava que não é bem assim, e que fazer o teste é preciso porque é a única forma de você saber se tem HIV ou não.

Eu sempre digo que todo mundo que tem vida sexual ativa precisa fazer o teste de HIV pelo menos uma vez por ano. Descobrindo a presença do HIV no começo da infecção, as chances de não desenvolver Aids são grandes. As mortes por Aids são, em sua imensa maioria, por causa de pessoas que só descobrem a doença quando ela já se manifestou, ou seja, nunca fizeram o teste antes.

Mas isso não quer dizer que eu ache o HIV uma coisa normal e leve de se ter. Não é. Tomar um coquetel de remédios todos os dias de manhã não é uma coisa agradável, seja qual for a sua doença ou o vírus que você tem. Se eu tiver que escolher entre ter e não ter HIV, certamente vou escolher não ter.

É simples assim. Existem muitos casais sorodiscordantes que vivem juntos e têm uma vida sexual ativa e saudável, e se previnem, e vivem bem. A camisinha e o teste são a melhor prevenção que você pode ter.

*A autora do texto preferiu não ter seu nome revelado

Fonte: R7

Data de criação: 12/09/2011
Última atualização: 12/09/2011

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4 Comentários Publicados

  1. camilla do gm disse:

    fazendo trabalho dsso!!!!!! :-)

  2. Rafaella disse:

    Na boa, sem preconceito.C O R A J O S A!!!!!!

  3. karol disse:

    Olha tbm não tenho preconceito nenhum, meu marido tem hiv e eu não e somos muito felizes com a benção de Deus!

  4. eliane disse:

    não tenho preconceito…

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