Estratégia de fazer teste de HIV nas escolas terá mudanças, mas continuará no Maranhão

Tags:,

06/04/2010 – 12h30

Osvaldina Mota, Coordenadora Estadual de DST/Aids do Maranhão, informa que decisão foi tomada pelo Ministério Público do Estado

Mesmo depois de virar polêmica nacional, a estratégia de fornecer o teste rápido de HIV nas escolas para alunos com 15 anos ou mais, sem necessariamente ter o consentimento dos pais, continuará no Estado do Maranhão. A informação é da Coordenadora do Programa maranhense de DST/Aids, Osvaldina Mota (foto).

Ela explicou que essa decisão foi tomada no final do mês passado durante uma audiência com o Ministério Público do Estado.

Mota destaca, no entanto, que a estratégia deve sofrer algumas alterações, como limitar o horário da testagem para o final da tarde ou começo da noite, quando a maioria dos alunos tem 15 anos ou mais.

“O teste continuará a ser aplicado só nos centros de ensino que já participam do Programa Saúde e Prevenção das Escolas e por profissionais já capacitados e com experiência nos CTAs (centros de testagem e aconselhamento)”, disse Mota.

O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas é uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação que visa levar à rede pública de ensino discussões sobre sexualidade e prevenção das DST/aids. Na maioria das escolas que fazem parte deste programa, o preservativo é colocado à disposição dos alunos.

Segundo a Coordenadora do Programa de DST/Aids do Maranhão, a ideia de oferecer também o serviço voluntário de testagem para o HIV surgiu com o objetivo principal de aumentar o número de mulheres adolescentes testadas.

“Quando apenas falávamos sobre o teste nas escolas, mas não colocávamos à disposição dos alunos, a procura deles nos centros de testagem era muito baixa”, comentou. “Foi quando por pedido dos próprios professores dessas escolas, decidimos levar o teste até os alunos”, acrescentou.

Trezentos alunos da rede pública de ensino do Maranhão participaram da testagem rápido para o HIV, mas nenhum resultado foi positivo.

Hoje, este serviço está provisoriamente suspenso, mas segundo Mota, retornará em breve.

A coordenadora disse que as mudanças no projeto serão apresentadas no começo de maio durante uma segunda audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado.

Entenda a polêmica

No começo de fevereiro, o governo do Maranhão começou a fazer testes de diagnóstico rápido de HIV em alunos do ensino médio, a partir de 15 anos, de escolas públicas de São Luís, sem pedir autorização aos pais.

Os testes foram feitos no horário letivo e o resultado, entregue na própria escola, diretamente ao aluno, em 15 minutos.

A medida foi criticada porque excluía os pais do processo e dava margem à exposição do aluno. Dias depois, a iniciativa foi suspensa pela Secretaria de Saúde.

A coordenadora executiva do Fórum Maranhense de Organizações Não Governamentais de Enfrentamento e Luta contra as DSTs e Aids, Lúcia de Azevedo Pacheco, criticou a disponibilização de testes nas escolas.

“O recomendado é orientar os jovens com ações de prevenção, como bate-papo sobre educação sexual, distribuição de camisinhas e não a realização de testes rápidos”, disse Pacheco.

Em São Paulo, o Coordenador da Associação Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada, José Araújo Lima Filho, considerou a iniciativa “irresponsável e inconsequente”.

“Isso é tão absurdo que fica difícil de acreditar que seja verdade. Está na hora do Departamento de DST/Aids (e Hepatites Virais do Ministério da Saúde) orientar melhor as ações estaduais e reprovar atos como esse”, comentou.

Lima Filho, experiente em trabalhos com crianças e adolescentes vivendo com HIV, ressaltou que a testagem nas escolas pode trazer “danos irreparáveis na vida de um jovem que receba o resultado positivo, por exemplo”.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

Data de criação: 08/04/2010
Última atualização: 23/04/2010

Tags:,

Textos relacionados:

AIDS | HIV nas redes sociais

  • orkut
  • twitter
  • facebook
  • youtube
  • rss

Deixe sua mensagem

Lembramos que a equipe do site AIDS/HIV é formada por jornalistas. Portanto, as informações encontradas no site NÃO dispensam as orientações médicas. O nosso objetivo é informar e nunca substituir a palavra de um médico.


(obrigatório)

(obrigatório)

Mensagem