Cura da aids é sucesso, mas não para todos, dizem especialistas

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O anúncio de que um paciente com aids foi curado foi recebido com alegria pelas publicações especializadas internacionais. Contudo, a maioria destacou que o tratamento a que o norte-americano Timothy Ray Brown foi submetido só pode ser repetido em casos muito especiais. Brown foi curado depois de passar por dois transplantes de medula de um doador que possui uma mutação que o torna imune à aids. Suas células não possuem a proteína CCR-5, que permite que o HIV infecte as células de defesa do organismo.

Tantas variáveis fizeram com que a revista britânica New Scientist ressaltasse o trecho da pesquisa do médico alemão Gero Huetter, responsável pelo tratamento, onde fica claro que a cura se aplica, por enquanto, apenas a Brown. “Notem as palavras cruciais ‘a cura foi conquistada neste paciente’”, escreveu o periódico. “Embora seja uma notícia fantástica para Brown, ainda está longe qualquer tratamento em larga escala para as milhões de pessoas infectadas pelo vírus em todo o mundo”, concluiu a revista.

No blog do médico Sanjay Gupta, apresentador de um programa de saúde na rede norte-americana de TV CNN, são apontadas as mesmas questões levantadas pela New Scientist, como a impossibilidade de se repetir a terapia bem-sucedida a outros portadores de HIV. O texto também chama atenção para o alto risco representado pelos transplantes de medula: quase um terço dos pacientes morre durante o procedimento.

Em entrevista ao jornal The New York Times, o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, disse que o resultado não é surpreendente, mas que uma terapia do gênero “é simplesmente impraticável.” Robert Gallo, diretor do Instituto de Virologia Humana da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e um dos responsáveis pela descoberta de que o HIV é o causador da aids, também disse ao jornal que a pesquisa não é viável em larga escala. “Francamente, preferiria continuar tomando os antirretrovirais”, afirmou.

O jornal ainda lembrou que desde a década de 1980 os cientistas tentam curar a aids com transplantes de medula. Um dos casos mais famosos foi o de Jeff Getty, paciente que recebeu a medula de um babuíno. Ele sobreviveu onze anos, mas morreu de aids e câncer. O transplante não o protegeu, mas os antirretrovirais prolongaram sua vida.

Data de criação: 22/12/2010
Última atualização: 22/12/2010

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