Circuncisão não protege homossexuais do HIV, destaca Folha de S.Paulo

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20/03/2010 – 9h55

Pesquisa realizada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA indica que a circuncisão é pouco eficaz na prevenção ao HIV entre homens homossexuais. Para o infectologista da Universidade de São Paulo (USP), Esper Kallás, o estudo é importante, mas não é definitivo. As informações são da Folha de S.Paulo. Leia a seguir a matéria na íntegra.

Circuncisão não protege homossexuais, diz estudo

Em pesquisa com quase 5.000 homens, não houve redução no contágio de HIV

Trabalho é um dos maiores feitos fora da África e em grupo não heterossexual; sexo receptivo pode diluir efeito preventivo da cirurgia

Embora estudos feitos na África tenham mostrado que a circuncisão pode diminuir a transmissão do vírus HIV entre heterossexuais, uma pesquisa feita pelos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), dos EUA, sugere que o procedimento pode ser pouco eficaz na prevenção da infecção entre homens que têm relações sexuais com outros homens.

Os pesquisadores dos CDCs analisaram dados de 4.900 homens que viviam nos EUA, Canadá e Holanda em 1998, quando participaram de um teste para uma vacina anti-HIV. Em três anos, 7% deles tornaram-se soropositivos.

Após ajustes para descartar a influência de fatores como uso de drogas injetáveis e sexo sem proteção, o resultado mostra que a circuncisão não alterou a probabilidade de transmissão do vírus HIV.

A conclusão, publicada pelo periódico “Aids”, aparece no momento em que os CDCs estão debatendo as recomendações sobre circuncisão para reduzir a transmissão do HIV. A agência está decidindo se recomenda a circuncisão para heterossexuais com alto risco de contrair o vírus e se há evidência suficiente para fazer alguma indicação também para homossexuais e bissexuais.

Acredita-se que a circuncisão proteja os homens do HIV porque o tecido do prepúcio (prega que recobre a glande) parece particularmente suscetível ao vírus e pode servir de porta de entrada no organismo para ele, entre outras razões.

Mas isso pode não fazer muita diferença nas taxas de transmissão entre homens homossexuais e bissexuais porque não afeta o risco de contaminação no sexo anal receptivo. Outra hipótese é o fato de soropositivos de países desenvolvidos se tratarem com drogas potentes que reduzem o risco de contágio, o que pode se sobrepor aos efeitos da circuncisão.

Segundo Naila Santos, assistente da divisão de prevenção do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, há muitas críticas à recomendação geral da circuncisão para prevenir a Aids. “Ela também não protege as mulheres em uma relação com parceiro soropositivo”, diz.

Para o infectologista Esper Kallás, da USP, trata-se de um estudo importante. “Demonstra algo que já se suspeitava e abre a discussão sobre aspectos da transmissão do HIV”, afirma. Para ele, é um indício de que a circuncisão não tem o mesmo efeito protetor contra o HIV do que em relações heterossexuais, mas não é a resposta definitiva, porque o trabalho tem limitações: é retrospectivo e contou com muito mais participantes circuncidados (86%).

“Precisa haver um estudo com mais gente, distribuição mais equânime entre circuncidados e não circuncidados e que seja prospectivo”, afirma.

Fonte: Folha de SP

Data de criação: 20/03/2010
Última atualização: 25/03/2010

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