Cientistas mostram otimismo sobre vacina contra a AIDS

Ativistas e especialistas em Aids que se reúnem em Viena neste fim de semana para uma conferência sobre a Aids vão ouvir sobre os progressos na proteção das pessoas contra a doença. Não é esperado nenhum anúncio sobre a descoberta de uma possível vacina, mas pesquisadores estão mais esperançosos hoje do que antes de que a vacina é possível.

Eles apenas precisam escolher o melhor caminho para isso. “Houve um renascimento da vacina da Aids”, afirmou Seth Berkley, presidente da Iniciativa Internacional de Vacina para Aids.

Dois estudos publicados no ano passado aumentaram bastante as esperanças para uma vacina. Um, divulgado em setembro último, é sobre a combinação de duas antigas vacinas que abaixou o índice de infecção em um terço depois de três anos. A pesquisa foi realizada com 16 mil voluntários tailandeses.

No segundo estudo, publicado neste mês, pesquisadores descobriram anticorpos humanos que podem oferecer proteção contra vários vírus da Aids.

“Estou mais otimista sobre uma vacina agora do que estive nos últimos dez anos”, diz Gary Nabel, do Instituto Nacional de Alergias e Infecções dos Estados Unidos. Ele liderou o segundo estudo.

O vírus da Aids infecta 33,4 milhões de pessoas no mundo, segundo as Nações Unidas. Ele matou mais de 25 milhões.

As recentes pesquisas têm ajudado a diminuir o campo onde os cientistas devem se concentrar para desenvolver a vacina.

Um caminho pode ser refazer o teste da pesquisa com tailandeses. Pode ser mais fácil verificar resultados se a vacina for testada em pessoas com alto risco de infecção, e não em voluntários comuns.

MAIS ANOS DE PESQUISA

Algum tipo de vacina deve ser testada na África do Sul por volta de 2013 ou 2014, segundo Berkley, mas nada impede que daqui mais uns anos pesquisadores tenham outra vacina que não funciona.

Isso tem amedrontado as grandes indústrias farmacêuticas, que têm deixando as pesquisas para institutos, governos e pequenas empresas. Com orçamentos apertados, a pesquisa tem que ser focada. A maior esperança, diz Berkley, é uma vacina que pode ativar proteínas do sistema imunológico chamadas anticorpos neutralizadores.

Por isso que os pesquisadores ficaram tão animados com os resultados do instituto norte-americano neste mês.

Eles encontraram anticorpos no sangue de algumas pessoas cujos corpos produziram as defesas depois que foram infectados com HIV. Dois deles se vincularam e neutralizaram 90 por cento das mutações do HIV.

Os pesquisadores conseguiram congelar um dos anticorpos no processo de ligação para neutralização do vírus, obtendo uma imagem em nível atômico do momento em um processo chamado cristalografia por raios-X.

Ser capaz de “ver” como a estrutura se parece pode permitir aos pesquisadores projetar uma vacina usando um processo chamado desenho racional de vacina, semelhante a uma técnica usada para produção de medicamentos, disse Nabel.

Algumas pequenas companhias de biotecnologia também acreditam que podem ter respostas. A norueguesa Bionor está testando uma vacina chamada Vacc-4x, produzida com peptídios, pequenas porções da proteína do vírus da Aids.

Bionor não planeja desenvolver uma vacina para proteger as pessoas do HIV, mas pretende encontrar uma forma de livrar as pessoas de coquetéis de droga contra AIDS chamados de terapia antiretroviral altamente ativa, ou HAART.

Sete anos depois de vacinar os pacientes contaminados com HIV, eles ainda estão produzindo anticorpos contra o vírus, disse o doutor Per Bengtsson, vice-presidente sênior da Bionor, em recente entrevista à Reuters. Detalhes de mais estudos serão apresentados na conferência sobre HIV em Viena, na próxima semana.

Fonte: Globo

Data de criação: 21/07/2010
Última atualização: 21/07/2010

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