Aids: laboratório deve 43 milhões de pílulas
29 de abril de 2010 | 0h 00
A falha no abastecimento do remédio combinado antiaids lamivudina/zidovudina no País é reflexo de um problema iniciado no fim de 2009, com o atraso na entrega de medicamentos produzidos pela Fiocruz. O laboratório oficial fechou o ano com dívida de 26 milhões de comprimidos, o que levou o Ministério da Saúde a usar estoque de emergência. A situação se agravou em janeiro, quando a produção foi interrompida por falhas técnicas. Agora, o laboratório deve 43 milhões de comprimidos.
O diretor de Farmanguinhos Hayne Silva admitiu que a prática de iniciar o ano com passivo na entrega de medicamentos não é incomum. Apesar do desabastecimento, Silva disse não considerar que o laboratório trabalhe no limite da segurança. “Atrasos acontecem. E não apenas na Fiocruz, em laboratórios particulares também.”
A lamivudina/zidovudina é usada por 116 mil pacientes. Para corrigir o problema até junho, a Fiocruz teve de contratar a Furp – laboratório oficial de São Paulo -, que ficará encarregado de produzir os 26 milhões de comprimidos que deveriam ter sido entregues em 2009. O restante será produzido por Farmanguinhos.
“Não foi a primeira nem vai ser a última vez que há problemas de medicamentos”, afirmou a coordenadora do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais, Mariangela Simão. Além da falta do combinado, pacientes reclamam da dificuldade na obtenção de 3TC e do medicamento abacavir. Ontem, foram feitas no País manifestações protestando contra o problema de desabastecimento.
Mariangela afirma que o abacavir chegou ao País e deverá estar disponível nos Estados na próxima semana. “Até vulcão colaborou para atraso. Mas agora tudo está resolvido”, disse o ministro José Gomes Temporão.
Mariangela afirmou que, diante da falta do lamivudina/zidovudina, foi feita uma reprogramação na produção. Furp e Funed – laboratório oficial de Minas – receberam a encomenda de produzirem mais 25 milhões do medicamento combinado. Além disso, a produção do antirretroviral pelos laboratórios oficiais deverá ser periodicamente acompanhada por uma comissão, liderada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do ministério.
Travestis. As afirmações de Mariangela e de Temporão foram dadas após o lançamento de uma campanha de prevenção à aids idealizada por travestis. A iniciativa pretende sensibilizar a sociedade contra o preconceito.
Fonte: Estadão
Última atualização: 11/05/2010




