Aids eleva mortalidade materna, destaca Folha de S.Paulo

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15/04/2010 – 10h10

Em 18 anos, índice diminuiu 35%; queda nas taxas de fertilidade e aumento da qualidade de vida são principais causas

No Brasil, mortes durante gestação, parto ou pós-parto caíram 63%; país registra 55 óbitos de mães a cada 100 mil nascimentos

A mortalidade materna caiu cerca de 35% no mundo, entre os anos de 1980 e 2008. O número total de mortes por ano passou de 526 mil para 343 mil no período, mostra um estudo feito em 181 países, liderado por pesquisadores da Universidade Washington, nos Estados Unidos, que acaba de ser publicado no “Lancet”. No Brasil, houve queda de 63% na taxa de mortes por 100 mil nascimentos, que passaram de 149 para 55.

A mortalidade materna se refere às mortes de mulheres durante a gestação, no parto ou no puerpério -período de 42 dias após dar à luz. Elas podem ser diretas -quando são causadas por doenças que só ocorrem nesse período, como eclâmpsia- ou indiretas, quando são provocadas por males preexistentes ou que se desenvolvem durante a gestação e são agravados por ela, como problemas circulatórios ou respiratórios.

Os motivos para o resultado, segundo os autores, são a queda na taxa de fertilidade no mundo todo e a melhoria nas condições de vida em geral. Essas melhorias envolvem desde ganhos no estado nutricional das mães até facilidades no acesso à saúde. Isso foi verificado na Ásia e na América Latina, em especial. Também houve aumento dos níveis de escolaridade e maior assistência ao parto.

No Brasil, esses fatores responderam por uma queda nas mortes maternas de 3,9% ao ano, número superior ao verificado no México, que teve uma queda anual de 1,9%.

“O Brasil vem fazendo esforços sérios para diminuir os índices de mortalidade materna, com melhorias na educação e nas condições socioeconômicas. Nesse período, diminuiu o nível de pobreza e aumentou o de educação, bem como o acesso aos contraceptivos”, observa o ginecologista e obstetra Aníbal Faundes, professor da Universidade Estadual de Campinas e consultor da Organização Mundial da Saúde.

Faundes também destaca que, em termos de saúde, o atendimento pré-natal evoluiu, o que resulta na queda de mortes por eclâmpsia, por exemplo. “Isso está diretamente relacionado ao pré-natal, fundamental para a prevenção e diagnóstico precoce.”

“Medidas simples, como fazer no mínimo seis consultas no pré-natal e um bom atendimento de partos hospitalares podem resultar em grandes avanços”,diz Nilson Mello, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Masas hemorragias e infecções continuam sendo importantes causas de morte no Brasil, ao lado das complicações em decorrência de abortos. “A elevada taxa de cesáreas leva a um risco maior de hemorragias”, diz Faundes.

A epidemia de aids, principalmente nos países africanos, também teve impacto negativo nos números. Segundo o estudo, se ela estivesse mais bem controlada, o progresso na prevenção da mortalidade materna seria muito maior.

Os dados do estudo foram corrigidos estatisticamente levando em conta a subnotificação de mortes maternas, comum no mundo inteiro. Muitos registros de mortes deixam de incluir que a mulher estava grávida ou que havia dado à luz recentemente. “As complicações dos abortos também são dissimuladas”, diz Faundes.

No Brasil, uma pesquisa feita pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo constatou alto índice de erros no preenchimento da declarações de óbito e propôs um fator de correção, que já foi adotado pelo Ministério da Saúde.

Redução é uma das metas do milênio

A diminuição em 75% das mortes maternas até 2015 é uma das oito metas da Declaração do Milênio das Nações Unidas. O documento, assinado em 2000 pelos países-membros, estabelece objetivos para melhorar indicativos de saúde e o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Folha de S.Paulo

Data de criação: 22/04/2010
Última atualização: 23/04/2010

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