A revelação do diagnóstico para os filhos

Jornalista conta que assumir para os filhos que tem HIV não tem o poder de diminuir a relação de amor entre eles

07/05/2010 – 18h45

A informação de que o governo está desenvolvendo um plano de assistência à reprodução de soropositivos ganhou grande destaque na mídia nos últimos dias.

Essa discussão, em especial sobre os direitos e os riscos das mulheres com HIV terem filhos, remete à data celebrada no Brasil no próximo domingo, o Dia das Mães.

Para marcar a data, a Agência de Notícias da Aids conta três histórias reais sobre o tema mãe, filho e aids.

Leia a seguir a primeira, quando a mãe conta aos filhos ser portadora do vírus da aids.

Em 1999, a jornalista Alessandra* estava casada. Relacionamento estável há 13 anos. Ao contrário do seu marido, usuário de drogas, ela cuidava muito bem da sua saúde.

Mas um dia, durante uma internação hospitalar do marido, ela recebe a seguinte notícia dos médicos: ele está com o vírus da aids.

Dias depois, a sua sorologia positiva para o HIV também foi confirmada.

Na época, revelar a sorologia à filha de 10 anos e ao filho de cinco não estava em seus planos. “Não tinha a necessidade. Essa informação não iria ser útil para a vida deles. Achei melhor preservá-los.”, lembra a jornalista.

O tempo passou e, em 2006, Alessandra já separada do marido acompanhava a filha já com 16 anos numa visita ao pai no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

“Minha filha sacou logo. O pai sempre estava doente… Ela me perguntou: ´vocês têm aids?´”, lembra. “Não tinha como mentir. Procurei ser o mais didática possível. Expliquei que nunca tinha ficado doente porque levava uma vida normal e iria continuar na luta do dia-a-dia com o vírus”, acrescentou.

A jornalista diz que a filha soube amadurecer com a informação, apesar do impacto da notícia. “Ela percebeu que tinha que resgatar o pai para a vida, incentivá-lo a viver. Ela buscou informações para isso”, lembra Alessandra.

Rebeldia

A certa facilidade que Alessandra teve em falar sobre a sua infecção à filha não ocorreu em relação ao filho.

Para o filho, Alessandra contou um pouco mais tarde e também não foi fácil porque a notícia foi dada num contexto delicado. O pai atravessava outro momento de saúde frágil e o garoto estava muito preocupado, tenso, assumindo precocemente o papel de cuidar do pai.

“O pai havia contado para ele, mas não havia falado de mim. Acho que ele temia tocar no assunto e descobrir que a mãe também fora infectada. Estava muito angustiado e eu decidi abrir o jogo”, disse. “Tanto ele como a irmã disseram que não esperavam que eu tivesse o vírus, mas acho que, no fundo, ambos desconfiavam .”

Desde então, Alessandra conta que a relação entre eles é a mais normal possível, com todas as alegrias, preocupações, direitos, deveres, cobranças e recompensas que norteam qualquer relação de mães e filhos. “Meus filhos amadureceram porque tiveram de lidar não só com a notícia do HIV, mas com as crises do pai. Eu tenho certeza de que contei na hora certa e que, assim, foi melhor.”

Para as mães

Alessandra deixa uma mensagem para outras mulheres: “Ser mãe é a maior dádiva. Os filhos passam a ser a maior razão de viver. Temos todos desejos de querer propiciar o melhor: boa formação, estrutura e afeto. O HIV não interfere nisso, basta esperar o momento certo para contar. Esse diagnóstico não tem poder de mudar a relação sublime entre mãe e filhos. Prova disso, é que hoje mulheres com o vírus podem planejar e ter filhos, isso não atrapalha um sonho. Acho que jamais alguém deve desistir disso.”

Dia das Mães

A data teve origem no princípio do século XX, quando a jovem norte-americana Anna Jarvis perdeu sua mãe e entrou em completa depressão.

Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória da mãe de Annie com uma festa. Annie quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas.

Em pouco tempo, a comemoração e consequentemente o Dia das Mães se alastrou por todos os Estados Unidos e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: 9 de maio.
No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio.

Fonte: Agência Aids de Notícias

Data de criação: 11/05/2010
Última atualização: 11/05/2010

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