A difícil reinserção dos soropositivos no mercado de trabalho

01/05/2010 – 9h

Funcionário de uma grande rede de supermercados, José Carlos Veloso aptou por se abrir e contar ao seu empregador que tinha o vírus da aids.

Um mês depois recebeu uma carta de demissão.

O documento não explicitava que o motivo da dispensa era a sua sorologia, mas, para ele, ficou claro que foi preconceito quando judicialmente ganhou uma ação trabalhista contra a empresa.

O caso ocorreu há cerca de 20 anos. Hoje, Veloso é ativista para o direito das pessoas vivendo com HIV e vice-presidente da primeira organização não-governamental de luta contra a aids do Brasil e da América Latina: o Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) de São Paulo.

Apesar de passado tanto tempo, Veloso acredita que pouca coisa mudou no Brasil em relação à discriminação das pessoas com aids no ambiente de trabalho.

”Essa continua sendo uma das principais demandas que temos no GAPA”, comentou.

Hugo Hagstrom, de 49 anos, vive com o vírus há 25. Ele lembra que até 2000, as pessoas com HIV e aids eram quase sempre afastadas do trabalho.

“Não era preconceito. Era uma questão de saúde mesmo. Nos primeiros anos de epidemia a expetativa de vida de uma pessoa com HIV era pequena”, explica.

Publicitário de formação, Hagstrom diz que ainda são poucas as empresas que têm um olhar mais cidadão para com os soropositivos. Para ele, a ideia de grupo de risco para contrar o HIV não saiu do subconsiente das pessoas.

“Dizer que tem HIV no trabalho, por exemplo, traz imediatamente um pensamento ao empregador e aos outros colegas de que a pessoa é gay ou usuária de droga…”, exemplificou.

Hagstron coordena, no Grupo de Incentivo à Vida (GIV) de São Paulo, o Projeto Cuidado Solidário. Ele e outros nove voluntários vão a procura de pacientes com HIV e aids nas salas de alguns hospitais da cidade e propõem ajuda.

“A questão dos direitos das pessoas com HIV no ambiente de trabalho sempre aparece”, comentou.

Segundo o ativista, os voluntários encaminham os interessados para as organizações que têm atendimento jurídico.

Exemplo a ser seguido

Silvia Almeida, de 46 anos, sempre recebeu apoio da empresa que trabalha, a mineradora multinacional Anglo American, que surgiu na África do Sul, onde a prevalência do HIV é uma das maiores do mundo.

Desde 1992, a empresa presta atendimento aos empregados com HIV e aids, distribuindo medicamentos. Antes mesmo do governo brasileiro fornecer gratuitamente o coquetel antirretroviral para todos, a Anglo American já fornecia, conta Almeida.

“Esse apoio foi essencial para a minha saúde e para me tornar hoje uma militante pela causa da aids”, disse.

Silvia reconhece que a fama internacional da empresa na área da aids a encorajou a revelar seu diagnóstico.

Com mais de 25 anos de empresa, Almeida foi promovida de telefonista para assistente de Responsabilidade Social e hoje coordena nacionalmente os projetos antiaids da Anglo American.

“Logo que descobri ser positiva para o HIV tive a oportunidade de me aposentar e foi o que muitas pessoas fizeram, mas preferi continuar trabalhando, até mesmo para manter minha sustentabilidade”, lembra.

No entanto, a ativista reconhece que o seu caso não é muito comum no país.

“Eu diria que a reinserção dos soropositivos no mercado de trabalho é um dos maiores desafios que temos hoje no enfrentamento dos efeitos da aids”, finalizou.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a epidemia de aids constitui uma grave ameaça ao mundo do trabalho.

A instituição estima que do início da epidemia até 2005, 28 milhões de trabalhadores em todo o mundo perderam suas vidas em consequência da doença.

No Brasil, segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, cerca de 90 por cento do total de casos de aids diagnosticados foram entre pessoas que estão na faixa etária mais produtiva, ou seja, dos 20 aos 59 anos.

O local de trabalho pode ajudar a conter a disseminação e diminuir os efeitos do HIV e da aids, por meio da promoção dos direitos humanos, disseminação de informações, desenvolvimento de programas de capacitação e educação, adoção de medidas preventivas práticas, oferta de assistência, apoio e tratamento, e garantia de previdência social.

Fonte:  Agência de Notícias da Aids

Data de criação: 11/05/2010
Última atualização: 11/05/2010

Veja também:

AIDS | HIV nas redes sociais

  • orkut
  • twitter
  • facebook
  • youtube
  • rss

1 Comentário Publicado

  1. EM DEFESA DA CAUSA. COMBATENDO O PRECONCEITO.

    Prezados amigos:

    Somos de uma agência de publicidade mineira (filadelfiacom.com.br) e há 2 anos trabalhamos para a ONG Vhiver (vhiver.org.br).

    Um trabalho gratuito e bastante gratificante pelos resultados que estamos conseguindo até então.

    Gostaria de convidá-los para PARTICIPAR e AJUDAR A DIVULGAR mais um trabalho que desenvolvemos para a ONG Vhiver.

    Está no ar a campanha #1milhaosempreconceito.

    Vamos espalhar essa causa e ajudar o Thiago, o Grupo Vhiver e todos que convivem com a AIDS no Brasil (e no mundo).

    Acessem: http://www.1milhaosempreconceito.com.br/ (assistam o vídeo. Vale a pena!)
    Adicionem o Thiago: https://twitter.com/thiagovhiver

    Espalhem a causa! Nos ajudem também a combater o preconceito e trazer mais apoio para os soropositivos.

    Atenciosamente,

    Gustavo Jabrazi

    Diretor de Planejamento

    31.3516.0100

Deixe sua mensagem

Lembramos que a equipe do site AIDS/HIV é formada por jornalistas. Portanto, as informações encontradas no site NÃO dispensam as orientações médicas. O nosso objetivo é informar e nunca substituir a palavra de um médico.


(obrigatório)

(obrigatório)

Mensagem